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| NOTA 6,5 Adam Sandler repete mais uma vez o papel do rapaz de bom coração que acaba se metendo em confusões tentando fazer o bem e achar felicidade |
Só pensando no trabalho, Newman perde importantes momentos familiares, como um acampamento no fim de semana ou a competição de natação de seu filho, aliás, um garoto que ele próprio não consegue reconhecer debaixo d'água por não conhecê-lo profundamente. Coitado do menino se um dia se afogar em uma piscina lotada e depender do pai. Tais situações fazem com que as crianças vivam entediadas e sua esposa sempre aborrecida. Certa noite, exausto de um dia cansativo de trabalho e das cobranças da família, Newman passa por mais um estresse. Com dificuldades para encontrar qual dos vários controles que tem em casa liga a sua televisão, ele decide pelo menos colocar um basta nesta situação incômoda e vai comprar um aparelho remoto que seja universal, ou seja, um que funcione para todos os equipamentos eletrônicos que possui. Ao chegar na loja de estranhíssimo nome "Cama, Banho & Além", o rapaz encontra Morty (Christopher Walken), um excêntrico funcionário do local que lhe oferece um aparelho semelhante ao que está procurando, mas ainda em fase experimental. O diferencial desta nova invenção é que além de controlar a TV, o aparelho de som, as luzes entre tantas outras coisas, ele ainda acumula funções que são um verdadeiro sonho para quem quer se livrar de problemas com a família, amigos, chefe, vizinhos e até com o cachorro. Com apenas um toque vez ou outra Newman poderá finalmente ter a vida que sempre sonhou manipulando o tempo e as situações cotidianas de acordo com suas vontades. O único problema é que o uso abusivo e impulsivo deste controle pode trazer outros contratempos, mas quando a pessoa cai em si pode ser tarde demais. Surpresa! A invenção não oferece a opção de voltar ao passado. A mistura de humor baseado em situações visuais e algumas pitadas de drama leve consegue agradar crianças, jovens, adultos e velhinhos. É literalmente uma comédia universal e que utiliza muitos clichês para causar riso nos espectadores, tudo é bem mastigado, mas ainda assim cumpre seu papel perfeitamente afinal, como já dito, não pretende oferecer mais que diversão pura. Ok, algumas piadas nojentas e a repetição incessante do vergonhoso “relacionamento” entre o cachorrinho de estimação da família Newman e um pato de brinquedo poderia ter sido limado na edição final.
A sensação de que já vi esse filme, contudo, é inevitável e potencializada pela presença de Adam Sandler interpretando mais uma vez o cara bacana que acaba se metendo em confusões. O pior é que hoje em dia não sabemos se o fato de repetir papéis é um problema ou é positivo ao ator. Ele em terreno seguro consegue sempre arrancar boas risadas com suas interpretações caricatas e cheias de expressões corporais e faciais, quase como um Jim Carrey com pouco menos de idade. Aliás, esta obra até guarda certa semelhança com o longa Todo Poderoso. Em ambos os casos os protagonistas são homens que tentam equilibrar sem sucesso a vida profissional e a pessoal e ganham uma chance de rever os rumos de suas vidas através de um objeto mágico. Nesta comédia, Sandler até começa com uma interpretação mais contida, porém, conforme começa a se divertir com seu novo brinquedinho ele volta a sua velha e boa forma de interpretar, mas no geral por mais que se esforce ele não consegue deixar de lado sua imagem de Peter Pan malandrão, o cara que não quer crescer e deseja levar a vida numa boa. Tal estilo ao que tudo indica faz bem a sua carreira. Ele está tão a vontade aqui por também estar sendo dirigido por Frank Coraci, com quem já havia trabalhado em O Rei da Água e Afinado no Amor. Apesar da boa ideia central, se o filme é um amontoado de situações previsíveis, por que ele caiu nas graças do público? A resposta é fácil. Simplesmente é uma comédia muito bem feita e com um roteiro escrito de forma leve, sucinta e que vai de encontro ao que seu público-alvo deseja. A introdução nos apresenta muito bem os personagens, a ambientação, os conflitos do protagonista e oferece um humor de qualidade quase totalmente livre de apelações. Já da metade para o final, o longa assume um tom mais dramático justamente para explicitar a sua lição de moral. Quando o controle remoto passa a tomar decisões por conta própria, o pai de família perde o controle de sua vida e então o roteiro ganha um caráter reflexivo com mensagens bonitinhas e que não precisam de muito esforço para serem compreendidas. Click é assim. Bobinho, repetitivo, manipulador de emoções e talvez por essas razões um clássico instantâneo para as sessões da tarde. Uma produção acima da média para o gênero e assistindo no aconchego do lar e com o controle remoto em mãos temos o conforto de poder passar para frente as partes mais chatinhas, mas ainda com a opção de voltar para trás se houver arrependimento.
Comédia - 107 min - 2006




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